A recepção de Nicos Poulantzas na sociologia política brasileira
circulação, mediações e usos nos anos 1970
DOI:
https://doi.org/10.14295/principios.2675-6609.2026.175.010Palavras-chave:
Poulantzas, Sociologia Política, MarxismoResumo
O artigo investiga a recepção da obra de Nicos Poulantzas na sociologia política brasileira da década de 1970, preenchendo uma lacuna na literatura que já analisou extensivamente as influências de Antônio Gramsci e Louis Althusser. O texto reconstrói as condições de circulação de suas ideias no país, destacando o papel de mediações intelectuais, leituras em língua original e a influência de autores que dialogavam com sua obra. Para tanto, o artigo analisa como 21 intelectuais brasileiros mobilizaram categorias poulantzianas em seus trabalhos. A escolha do corpus não obedeceu a um levantamento sistemático de literatura, sendo orientada principalmente pela disponibilidade e acessibilidade das fontes. Ainda assim, buscou-se contemplar autores representativos do debate da época, de modo a permitir a reconstrução de tendências relevantes na recepção de Poulantzas no Brasil. A investigação distingue dois circuitos principais de recepção: aquele vinculado à Universidade de São Paulo (USP) e ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP); e outro formado por intelectuais com formação acadêmica no exterior e trajetória profissional no Rio de Janeiro. Mais do que mapear influências, o estudo busca compreender o contexto teórico e político em que Poulantzas foi apropriado, evidenciando como suas formulações sobre Estado e classes sociais foram reinterpretadas à luz dos desafios analíticos colocados pela realidade brasileira. Ao fazê-lo, o artigo contribui para a história da sociologia política no Brasil e para a compreensão das formas de circulação e apropriação de teorias marxistas em contextos periféricos.







