Sobre o conceito de trabalho: uma leitura nos Grundrisse, de Marx

  • Marcos Dantas Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  • Luana Bonone Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  • Monique Figueira Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  • Rodrigo Guedes Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
  • Tiago de Oliveira Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Palavras-chave: Trabalho, General intellect, Renda informacional, marxismo, Trabalho semiótico

Resumo

Marx antecipava nos Grundrisse a transformação da ciência e tecnologia em forças produtivas diretas no capitalismo. Esse processo levaria à predominância do trabalho intelectual sobre o manual, substituído pelas máquinas. O capital, então, haveria de ser superado por alguma formação apoiada no intelecto geral da sociedade. Por isso, debate-se se a lei do valor, baseada no tempo de trabalho, teria sido superada ou se seria necessário redefinir a categoria trabalho. Este artigo pretende apontar lacunas nesse debate, articulando a concepção dialética da história em Marx com os conceitos científicos da teoria da informação. Ao relacionar trabalho à informação como neguentropia, entendemos o capital como um sistema biossocial sempre em expansão e dependente do conhecimento detido pelo trabalhador. Assim, concluímos que o capital evoluiu a ponto de se apropriar do intelecto geral. Como o capital, na sua evolução, reduziu ao mínimo o tempo de trabalho fabril imediato, subalterno ao trabalho científico, para seguir acumulando precisou desenvolver um sistema rentista apoiado na propriedade intelectual e na financeirização. A lei do valor segue comandando as relações de trabalho, agora sob novas formas de apropriação de trabalho gratuito, precarização e fragmentação espaço-temporal, com superexploração do trabalho de baixo valor informacional nas periferias do sistema.

Biografia do Autor

Marcos Dantas, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Professor titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), doutor em Engenharia da Produção (Coppe-UFRJ), professor e pesquisador dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (PPGCOM/ECO) e em Ciência da Informação (PPGCI/Ibict-ECO) da UFRJ. Membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.BR) e do Conselho de Administração do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.BR). Diretor-executivo do Centro Internacional Celso Furtado para Estudos do Desenvolvimento, sócio da Ulepicc, da Ancib e da Intercom. Integrante do grupo de pesquisa Política e Economia da Informação e Comunicação (Peic) e líder do Grupo Marxiano de Pesquisa em Informação, Comunicação e Cultura (Comarx). Autor de A lógica do capital-informação (Contraponto, 2002) e Trabalho com informação (CFCH-UFRJ, 2012).

Luana Bonone, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

* Doutoranda em Comunicação e Cultura pela UFRJ, e mestra em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Bacharela em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, e especialista em Democracia Participativa, República e Movimentos Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Jornalista e ativista pela democratização da mídia, filiada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), estuda o estabelecimento de cotas de programação nacional na TV por assinatura no Brasil. Integrante do Peic e do Comarx. E-mail: luanabonone@gmail.com

Monique Figueira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Doutoranda e mestra em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), em parceria com a UFRJ. Bacharela em Comunicação Social, produtora audiovisual e ativista pela democratização da mídia, estuda as lacunas no regime de informação brasileiro sobre população e território. Integrante dos grupos de pesquisa Peic, Perspectivas Filosóficas em Informação (Perfil-i) e Comarx. E-mail: niquefig@gmail.com

Rodrigo Guedes, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Doutorando em Ciência da Informação pelo Ibict, em parceria com a UFRJ. Bacharel e licenciado em Ciências Sociais, e mestre em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) no Instituto de Economia, pela UFRJ. Tem experiência na área de sociologia do conhecimento, estuda a economia política das plataformas. Integrante do Peic e do Comarx. E-mail: rodduarte@yahoo.com.br

Tiago de Oliveira, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Mestrando em Ciência da Informação pelo Ibict, em parceria com a UFRJ. Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Produção Editorial, pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNIBH). Integra o Comarx. E-mail: tiago@tiagotadeu.com

Publicado
2020-08-24