Estado, direito e fundo público na revolução brasileira

Limites e possibilidades de uma transição estrutural sob o capitalismo dependente

Autores

  • João Pedro Ribeiro Carrijo Universidade Federal de Uberlândia - UFU
  • Neiva Flávia de Oliveira Universidade Federal de Uberlândia - UFU

DOI:

https://doi.org/10.14295/principios.2675-6609.2026.175.005%20

Palavras-chave:

Estado, Materialismo histórico-dialético, Capitalismo, Revolução brasileira, Fundo público

Resumo

O artigo analisa criticamente as relações entre Estado, direito e fundo público no capitalismo dependente brasileiro, tomando como objeto as regras fiscais contemporâneas que disciplinam juridicamente a alocação da riqueza social. Fundamentado no método materialista histórico-dialético, o estudo interpreta o Estado e o direito não como instâncias neutras ou autônomas, mas como formas sociais historicamente determinadas, vinculadas à reprodução das relações de produção, da propriedade privada e da dominação de classe. A partir de revisão teórica, análise documental e levantamento empírico não exaustivo, examinam-se a Lei de Responsabilidade Fiscal, as metas de resultado primário, a Regra de Ouro, o Teto de Gastos e o Novo Arcabouço Fiscal, demonstrando que tais instrumentos não operam apenas como mecanismos técnicos de gestão orçamentária, mas como formas jurídicas de organização da disputa pelo fundo público no Brasil. O artigo evidencia que, embora tenha havido inflexões relevantes entre os diferentes ciclos governamentais, da primeira gestão de Lula à atual, passando por Temer e Bolsonaro, permaneceu uma tendência estrutural de subordinação das despesas primárias sociais à disciplina fiscal, à sustentabilidade da dívida e às exigências da financeirização. Argumenta-se, ainda, que os efeitos da austeridade não são socialmente homogêneos, incidindo de modo mais intenso sobre grupos historicamente vulnerabilizados, especialmente mulheres, população negra, trabalhadores informais e periferias. Conclui-se que a democratização do fundo público constitui dimensão estratégica de qualquer projeto de soberania nacional, igualdade substantiva e transição emancipatória, exigindo a crítica das formas jurídicas e fiscais que convertem escolhas distributivas em imperativos técnicos aparentemente neutros.

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Biografia do Autor

João Pedro Ribeiro Carrijo, Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Graduado em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mestrando em Ciências Sociais, com ênfase em Sociologia, na mesma instituição, onde é bolsista Capes e integra o Grupo de Pesquisa Trabalho, Educação e Sociedade (GPTES). Ex-bolsista de iniciação científica em pesquisas sobre qualidade de vida, trabalho docente e condições de trabalho. Atua nas áreas de sociologia jurídica, teoria do direito, trabalho, educação, desigualdades sociais, gênero e materialismo histórico-dialético. 

Neiva Flávia de Oliveira, Universidade Federal de Uberlândia - UFU

Graduada em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia - UFU e mestra em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora efetiva de Direito Civil da Faculdade de Direito da UFU. Coordenadora de projetos de extensão, estágio e grupos de estudos vinculados dessa faculdade. Presidenta da CPMulheres UFU.

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Publicado

2026-09-11

Como Citar

Carrijo, J. P. R., & Oliveira, N. F. de. (2026). Estado, direito e fundo público na revolução brasileira: Limites e possibilidades de uma transição estrutural sob o capitalismo dependente. Princípios, 45(175), 53–77. https://doi.org/10.14295/principios.2675-6609.2026.175.005