A ruptura na política externa brasileira e suas dimensões doméstica e geopolítica

subordinação internacional, fragmentação regional e resposta à pandemia

Palavras-chave: Covid-19, Geopolítica, Integração regional, Coalizões domésticas, Política externa

Resumo

A compreensão da política externa requer a análise de suas dimensões sistêmica e doméstica. A crescente rivalidade entre China e Estados Unidos, e a crise do capitalismo pós-2008 impactaram os governos progressistas da América Latina e contribuíram para a ascensão de coalizões de extrema direita na região. Historicamente, a política externa brasileira foi vista como uma política de Estado imune a interferências externas. Todavia, os processos de redemocratização e globalização contribuíram para a pluralização e politização da política exterior. Entre 1994 e 2014, a política externa foi uma arena de disputa entre coalizões políticas com distintas visões sobre a inserção do país nos planos internacional e regional. A eleição de 2018 marcou uma ruptura na trajetória diplomática brasileira. O atual presidente tem isolado o Brasil internacionalmente ao subordinar os interesses do país aos Estados Unidos. No âmbito regional, a política externa tem violado os princípios constitucionais que regem as relações internacionais do país, ameaçando as relações pacíficas com os vizinhos e deixando de desempenhar um papel de estabilização na região. A pandemia aumentou a rivalidade sino-americana e trouxe impactos negativos para a democracia, com o aumento das desigualdades sociais, especialmente na América Latina. A resposta do governo brasileiro tem sido desastrosa. Internamente, observa-se a falta de coordenação federativa e o conflito entre os poderes. No plano internacional, a política externa brasileira tem sido responsável pela desconstrução da histórica atuação do Brasil na área de saúde, tanto no plano multilateral quanto no âmbito regional.

Biografia do Autor

Tiago Nery, Fiocruz
Doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj) e assessor de Relações Internacionais do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz. Mestre em Relações Internacionais pela PUC-Rio e pesquisador do Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo) do Iesp-Uerj. E-mail: tiagonnery@gmail.com
Publicado
2021-01-15
Como Citar
Nery, T. (2021). A ruptura na política externa brasileira e suas dimensões doméstica e geopolítica: subordinação internacional, fragmentação regional e resposta à pandemia . Princípios, 1(160), 88 - 111. https://doi.org/10.4322/principios.2675-6609.2020.160.004